Os índices de leitura e os números do mercado editorial no Brasil estão em descompasso. Divulgada ontem em Brasília, a terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura, do Instituto Pró-Livro (IPL) e IBOPE Inteligência, aponta que houve uma diminuição na taxa média anual de leitura do brasileiro. Em 2007, o índice era de 4,7 livros por pessoa, ao ano. Segundo o novo estudo, feito entre junho e julho de 2011, com 5 mil pessoas, em 315 municípios, a média atual é de 4 títulos. Apesar da queda, Karine Pansa, presidente do IPL e da Câmara Brasileira do Livro (CBL), considera positivos os resultados "porque a pesquisa teve sua metodologia e acuidade aprimoradas".
O estudo mostra que, quando comparamos o acesso a livros comprados, emprestados ou presenteados, houve um aumento na aquisição, de 45% em 2007 para 48% em 2011. De acordo com o mais recente levantamento da CBL e da Federação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), entre 2009 e 2010 houve crescimento de 2,63% no faturamento das editoras. É preciso salientar que apenas 141 das 498 editoras atuantes no pais - segundo regra da Unesco - responderam questionário eletrônico enviado em 2010 pela Fipe.
Os indícios do aquecimento do mercado se acumulam. Que o diga Luciana Villas-Boas, que, após 16 anos como diretora-editorial do Grupo Record, já colhe os frutos de sua nova empreitada, a agência literária Villas-Boas & Moss. Luciana comemora vendas de direitos de autores brasileiros, com "adiantamento de cinco algarismos em euros", para editoras estrangeiras de peso, como a americana Simon & Schuster e a italiana Mondadori.
"Pelo meu plano, meus primeiros clientes seriam agências e editoras estrangeiras, interessadas em me confiar suas listas para representação junto ao mercado brasileiro. Depois, viriam os autores brasileiros para o nosso próprio mercado. Somente em terceiro lugar, a representação de brasileiros no exterior", diz Luciana. "A ordem de andamento dos negócios foi justamente ao contrário. Isso porque tanto o Brasil enquanto tema e ideia como o mercado brasileiro estão hoje muito aquecidos."
Com uma taxa de leitura inferior até mesmo a de vizinhos sul-americanos - segundo pesquisa do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe-UNESCO (CERLALC), abaixo do Chile (com media de 5,4) e Argentina (com 4,6) -, o Brasil é, em tese, um imenso mercado potencial. O governo federal, por meio dos ministérios da Cultura e da Educação, mantêm o Programa Nacional do Livro e Leitura (PNLL), cujas ações englobam a implantação e modernização de bibliotecas e a criação de Pontos de Leitura. Mas são as compras públicas que mais esquentam o mercado nacional de livros.
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Acesse o texto completo em:< http://www.valor.com.br/cultura/2592456/brasileiro-consome-mais-mas-le-menos> matéria de Eduardo Simões | Para o Valor, de São Paulo.